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Entrevistas do Outro Mundo: D. Afonso Henriques – MGI Julho 22, 2008

Posted by Paiva Monteiro in História, Informação, Monarquicos.
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Entrevistas do Outro Mundo: D. Afonso Henriques

Texto
NUNO ARY

Ilustrações
PEDRO RIBEIRO FERREIRA

agazine Grande Informação (MGI) – Antes de mais, permita-me que felicite Vossa Majestade pelo óptimo aspecto e lhe agradeça muito penhoradamente a honra desta entrevista.
D. Afonso Henriques (DAH) – Não tem nada que agradecer, pois é sempre um prazer receber algum dos meus súbditos, muito embora as novas que por vezes trazem do meu reino não sejam as melhores.

MGI: Vossa Majestade pode ser um pouco mais preciso, por favor?
DAH: Refiro-me à recente trasladação do Aquilino Ribeiro para o panteão nacional. Como deve calcular, mexeu muito comigo!

Decerto que pelo facto do dito literato, segundo alguns historiadores, ter sido cúmplice do regicídio que vitimou o Rei Dom Carlos e o Príncipe D. Luís Filipe, descendentes de Vossa Majestade?
Sim, claro, mas pior do que isso é o facto de eu agora, ao vir para aqui, ter passado pelo inferno e ter visto o Buiça e o Costa todos sorridentes com a perspectiva de serem eles os próximos inquilinos de Santa Engrácia, que parece ser uma espécie de vala comum dos caí-dos da república…

Mas com certeza que Vossa Majestade compreende que o Estado, não pode deixar de honrar os vultos maiores da sua História…
Bom, se vultos maiores da História do meu reino são o Aquilino Ribeiro e a Amália, que até era boa rapariga, mas não se comparava com a padeira de Aljubarrota, qualquer dia temos no panteão nacional os professores Neca e Karamba, e o Toni Carreira, sem esquecer o Eusébio! Por este andar, aquilo mais do que panteão nacional é uma espécie de réplica da bizarra colecção do Berardo!

Vejo que Vossa Majestade continua bem informado sobre a realidade portuguesa. Que diz do caso Mourinho?
Olhe, se quer que seja franco (e não posso deixar de o ser porque o meu Pai, o Conde D. Henrique, era de Borgonha, ou seja, franco de nascimento), logo que vi que o homem se chamava Mourinho percebi que não ia longe! No meu tempo sabíamos tratar da saúde dos mourinhos, dos mouros e dos mourões!
A propósito do Conde D. Henrique, vosso pai, corre ainda pelo reino o rumor de que Vossa Majestade bateu na sua própria mãe, Dona Teresa…
Bater não bati, porque numa senhora nem com uma flor se bate, mas tive que enfrentar os nobres galegos que lhe faziam a corte e queriam que o condado portucalense tornasse ao reino de Leão. Não nego também que a minha Mãe não queria que eu andasse sempre a bater nos mouros, alegando que era prejudicial para a minha saúde e, sobretudo, para a saúde dos ditos, que geralmente saíam (os que saíam!) bastante maltratados. Aliás, eles foram os primeiros a irem a Espanha tratar-se…

Como encara Vossa Majestade a nova moda dos portugueses irem nascer ao vizinho reino de Castela?
Olhe, jovem, no meu tempo nós íamos a Espanha não para nascer mas para morrer, morrer pela nossa pátria! Como agora está tudo de pernas para o ar, alguns portugueses atravessam a raia para dar à luz nas terras do inimigo!

Mas há mesmo alguns portugueses notáveis, como o Nobel José Saramago, que defendem a reunificação da Ibéria.
Confesso-lhe que tenho ouvido falar muito desse Saramago, mas como felizmente os seus livros só existem nos mais tenebrosos círculos do inferno, onde são de leitura obrigatória, eu não conheço nenhuma das suas obras. Mas se o homem escreveu um ensaio sobre a cegueira, não me estranha que só diga asneiras. O que me surpreende é que, sendo cego, guie a outros!

Ensina-se em Portugal que o vosso Aio, Egas Moniz, tendo-se comprometido a educar-vos na fidelidade ao monarca leonês, foi depois, de corda ao pescoço, pedir perdão da vossa deslealdade ao Rei de Leão. Confirma Vossa Majestade este rumor histórico?
Inteiramente. Mas deixe-me que aproveite a ocasião para esclarecer que, sem ofensa para a sua honra, o meu Aio não devia prometer o que só a mim cabia jurar ou não. Por outro lado, o honrado Egas Moniz foi vítima do seu tempo, pois se tivesse sido um político do século XXI decerto que nenhum mal lhe teria acontecido.

Vossa Majestade pode ser um pouco mais explícito?
Com todo o gosto. Dizia que se o bom Egas fosse mais moderno, em vez de se culpabilizar, com antes se fazia, «assumia», como agora faz qualquer malandro que não tem vergonha na cara e tem culpas no cartório. E sabe o que lhe digo? Saía do percalço que nem um herói…

Para garantir a independência de Portugal, Vossa Majestade prestou vassalagem à Santa Sé, atitude que hoje muitos consideram contrária à laicidade do Estado.
Nisso, meu caro súbdito, não lhe posso dar razão. O Estado pode ser laico, mas não a nação e, por isso, fazia todo o sentido que o novo reino fosse reconhecido pelo Papa e se garantisse nos seus domínios a benéfica acção da Igreja. Não foi o Mário Soares que disse que se tinha feito maçon por entender que isso podia ser bom para o país?! Como vê, afinal não fui assim tão fundamentalista como alguns pensam…

Mas aquela aparição da Cruz de Cristo na batalha de Ourique não terá levado a uma concepção excessivamente confessional do reino de Portugal?
Claro que teria sido politicamente mais correcto que me tivessem aparecido um avental, um esquadro e um olhinho maroto a espreitar por um triângulo… Já reparou que os defensores da laicidade são sobretudo os anti-católicos e que não querem libertar Portugal da influência das ideologias, mas substituir a Igreja pela maçonaria? Mas a mim, que já sou velho, não me enganam eles com as suas falinhas mansas!

Vossa Majestade quer aproveitar para transmitir alguma mensagem ao povo português?
Que não se envergonhem de serem portugueses nem dêem razão aos traidores que querem vender a pátria a Castela! E, já agora, cuidado com os mouros!

Fonte : http://www.magazine.com.pt/new/

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