carlosluna@iol.pt escreveu
Jornal “PÙBLICO”, 27 de Março de 2009, “Jornada do Português de Olivença”
DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA À CANONIZAÇÃO DE NUN´ÁLVARES
«A elevação do Condestável à dignidade dos altares da Igreja Católica pelo Vaticano não pode ser ignorada por Portugal» «Para que servem os órgãos de Comunicação do Estado, se não abordam as questões de interesse nacional?»
General José Alberto Loureiro dos Santos (nota à margem do texto: este general é o melhor especialista em estratégia em Portugal. Não é muito conservador, tendo tido a confiança do chamado Bloco Central, isto é, do PSD e do Partiodo Socialista) Nestes tempos de pouca auto-estima nacional, está fora de moda dizermo-nos patriotas, afirmarmos o orgulho de sermos portugueses, termos vontade de projectar para o exterior os valores, personagens e acontecimentos que nos distinguem positivamente. Apesar disto, surpreende não ter sido aproveitado um acontecimento recente, que revela bem um dos trunfos em que deveríamos apostar, não apenas para nos destacarmos internacionalmente, mas também para unir bandeiras entre os portugueses – uma “jornada do português” em Olivença, efectuada no dia 28 de Fevereiro de 2009.
Deu um tom oficial à “jornada” a participação do Presifdente da Junta da Extrermadura espanhola, Guillermo Fernandez Vara, um oliventino de gema. Provocou uma onda de emoção nos cerca de 200 assistentes, ao lembrar que, “na sua casa paterna, o Português era a língua dos afectos”. Uma herança que preserva, tendo consciência de que constitui uma especificidade cultural da Região de Olivença, da qual poderá retirar muitas vantagens. Um encontro em que participaram numerosos especialistas em assuntos linguísticos, especialmente da língua portuguesa, tanto de nacionalidade portuguesa como espanhola. Mostrou que o Português está a renascer entre os oliventinos, com a Região Autónoma da Extremadura a considerar o seu ensino como actividade de importância estratégica para os extremenhos. Ouviram-se intervenções, além dos presidentes das câmaras de Olivença e de Barrancos, de professores universitários portugueses e espanhóis, do director(espanhol) do Instituto dos Direitos Humanos e consultor do Conselho da Europa e de uma representante do nosso Instituto Camões.
Foi bem destacado o papel da lìngua Portuguesa no mundo e a sua crescente atracção para todos os países que desejam ou precisam de tartar e conviver com uma comunidade de cerca de 240 milhões de falantes do Português.
A jornada foi promovida e organizada por uma associação oliventina, Além Guadiana, que tem por principais objectivos fazer reviver o português e outros aspectos culturais portugueses nas terras de Olivença, como mais-valia que caracteriza os oliventinos e os identifica face aos espanhóis. Uma comunidade específica de ligação cultural entre os dois países vizinhos, com potencial para ser uma área dinamizadora das melhores relações entre Portugal e Espanha.
É lamentável que, a este evento, “efectuado com o sancionamento das autoridades espanholas máximas a nível local e regional”, com a cobertura de numerosos e importantes órgãos de comunicação do País vizinho, a um acontecimento destes, durante o qual, pela primeira vez desde 1801, a língua portuguesa se manifestava (oficialmente) em Olivença, não tivesse havido um meio de comunicação social português de nível nacional que desse atenção e noticiasse. A televisão pública não se apercebeu? A Rádio Difusão Portuguesa não considerou importante? Provavelmente, deixaram-se distrair por outros acontecimentos, a maioria dos quais não teria, Para Portugal e CPLP, um centésimo da importância deste. Para que servem os órgãos de comunicação do Estado, se não abordam as questões de interesse nacinal?
Outro evento a que convém estar atento é a canonização de Nuno Àlvares Pereira, no próximo dia 26 de Abril.(…)
(NOTA: que me desculpem os leitores, mas, tendo tido de passar tudo letra por letra e palavra por palavra em tempo de serviço, não vou transcrever o resto do texto, tão extenso como o já apresentado, por falta de tempo; limitei-me ao que a Olivença diz respeito;se alguém o quiser fazer, animo-o a isso!!!! Carlos Luna)
Olivença, Portuguesa
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No tocante a um texto sobre Olivença há tempos escrito no “Público” (29-I-09) é instante declarar o que segue.
Olivença não é apenas uma questão por resolver para qualquer português que se preze, sim, também, para qualquer homem que considere a prioridade e intangibilidade de princípios éticos e morais na política e nas relações internacionais. Toda a arte que existe em Olivença, lembremos, v.g., o castelo edificado por D. Dinis e o Manuelino, é portuguesa; e se, durante um bocado de uma tarde de Verão, por exemplo, penetrarmos para além do rosto de um oliventino, criança que seja, concluímos que não são rostos de espanhóis os que contemplamos. Podem já não ser bem portugueses – mas de espanhóis (estremenhos, castelhanos, valencianos, andaluzes…), isso não são de certeza absoluta. E não serão bem portugueses, porque dois séculos de imperialista ocupação assim o determinaram.
Mais. Há já bons pares de anos, decidi ir até à ponte destruída sobre o Guadiana e, logo ao lado do lugar onde estacionei a auto-vivenda, uma placa indicava “Finca Portugal”. Por que será uma tal placa?
«Olivença é uma pérola portuguesa incrustada na Extremadura», dizia, há pares e pares de anos, “El Pais”, ou no seu suplemento cultural (“Babelia”) ou no de viagens (“El Viajero”). Conservo o xis castelhano em Extremadura. Não guardei o periódico para o citar com rigor. Quanto à identificação do rosto não carece ser hiperestésico para o concluirmos. Ademais, alguém suficientemente familiarizado com a Europa, desde a Grécia a todos os países nórdicos, está, a fortiori, tranquilo ao afirmá-lo. Ou seja: seria estupendo que o jornalista (Nuno Pacheco) fosse mais perspicaz, informado, sabedor e viajado. Não estou a ser diminutivo e desejo-lhe o máximo de felicidades. Mas por que não se recorda daquilo que, ainda há tempos, a esse respeito, no “Público”, dizia o senhor general Loureiro dos Santos, esse excelente colaborador? Sim, porque o “Público” tem colaboradores à altura de uma civilização ou de uma cultura, como (ordem alfabética), v.g., Carlos Fiolhais, Cintra Torres, Santana Castilho ou Vasco Pulido Valente – sem
>> demérito para outros mais e da… nulidade ou vulgaridade que também escreve no seu espaço.
Não obstante, há dias em que o “Público” surge como um estupendo jornal. Ironizando – repito: ironizando – apetece perguntar ao jornalista quanto lhe foi pago pelo inimigo para escrever um tal texto. É que o ângulo que apresenta confunde-se com o texto oficial que, na altura da visita, me foi fornecido. Aliás, nada me espantava que tal texto persistisse em Olivença. Foi uma tão dolorosa experiência que nunca mais voltei a essa terra portuguesa. Por que é que uma mutilação territorial, espiritual (a arte portuguesa lá está) não há-de ser uma mutilação ontológica?
E, já que falámos de espiritualidade e arte, quero deixar claro que esta espiritualidade não é a de que se reclamavam fauves, futuristas, cubistas, expressionistas…, porque essa potente vitalidade dos movimentos de vanguarda e a sua belicista militância sabemos a que conduziu. Não posso deixar de lembrar Hugo Grócio: «Uma flagrante injustiça poderá, com o tempo, tornar-se um direito?».
Para melhor esclarecimento e actualização da questão deve acrescentar-se mais. Em 12-IX-1997, no próprio dia do sétimo centenário do Tratado de Alcanizes, em Stª Maria de Aguiar, o então ministro dos Assuntos Exteriores de Espanha, D. Federico Trillo, afirmou que «na questão de Olivença a Espanha não tem defesa». Acabado o momento das comunicações, e quando estava acompanhado pelos Drs. Almeida Santos e António Vitorino, dirigi-me a D. Federico Trillo e, na presença dos referidos senhores, disse-lhe: «Muchísimas gracias por sus palabras D. Federico».
7-III-09
Por: J. A. Alves Ambrósio









Noto que o seu pensamento é muito rico em conhecimentos e revela um elevado sentimento de patriotismo, que eu partilho fervorosamente. Olivença é Portuguesa “de jure”, mas isso só por si não chega, torna-se necessário que a sua administração nos seja devolvida pelos espanhóis. Como eles não honraram ainda o compromisso que tomaram ao assinar
a convenção de Viena de Àustria, teremos nós portugueses que exigir e junto da UE a entrega do que é nosso. Os espoanhóis não são sérios e o tempo tem-no provado. Não poderemos demorarmo-nos em mais delongas e passar à acção perante aqueles que não merecem respeito, porque são falsos e inimigos e sempre deram mostras que não nos aceitam como povo independente tanto no passado como no presente. O caso mais recente é o cão de raça Portuguesa optada pela família Obama. Dizem eles, o cão é de raça autotene ibérica. A revelação está feita e temos de ter cuidado, porque qualquer dia nos roubam o nome Portugal, subjugando-nos e tirando-nos o direito de falarmos a nossa língua e passarmos a falar o castelhano, sob pena de, se não o fizermos, sermos catigados como o fizeram em OlivençaJoaquim Rodrigues Ferreira
Comentário por Joaquim Rodrigues Ferreira — Maio 6, 2009 @ 5:41 pm